Também é possível adotar a agenda ESG na Gestão Pública?
- Ricardo Ribeiro Alves

- 19 de abr.
- 3 min de leitura

Sim, com certeza, e eu comento sobre isso no livro ESG na Gestão Pública, que também será publicado em 2026 pela Editora Alta Books.
É importante lembrarmos que há uma diferença primordial no horizonte de planejamento do administrador que atua na gestão privada daquele que atua na gestão pública.
Na gestão das empresas a duração da gestão é indeterminada, pois os proprietários conduzirão os negócios por longos anos e, em muitos casos, farão a sucessão para os seus herdeiros. Mas, eles podem, também, em algum momento vender a sua participação para outras pessoas que passarão a administrar aquela empresa. Dessa forma, não há um período específico de duração dessa gestão.
Por outro lado, a gestão pública é caracterizada por mandatos públicos, quando consideramos um país que vive no regime democrático, é claro. Dessa forma, excetuando-se os membros da realeza ou aqueles mandatários de regimes autoritários, espera-se que o cargo público seja exercido, de forma provisória, por pessoas que sejam eleitas pela população.
O ciclo será encerrado quando o mandato terminar. No Brasil, geralmente os cargos do Executivo permitem uma apenas uma reeleição na sequência, ao passo que podem haver mandatos sucessivos para cargos do Legislativo. Mas, mesmo no caso do Legislativo (situação de deputados, senadores e vereadores) há sempre a possiblidade de não serem reeleitos e o mandato ser interrompido.
Temos que lembrar, também, que o Estado é muito importante em época de crises e isso tem a ver com o ESG. A indispensabilidade do Estado e sua capacidade de coordenar respostas abrangentes aos problemas emergenciais tornam-se evidentes para a sociedade. Durante a pandemia da covid-19, o SUS (Sistema Único de Saúde), mostrou-se essencial no combate à crise sanitária. Em 2024, diante da tragédia climática ocorrida no Rio Grande do Sul, as funções estatais, como o planejamento preventivo e a manutenção da infraestrutura urbana, revelaram-se centrais.
Nesse contexto, há uma mensagem muito importante: hoje pode estar no poder um determinado governante e partido político (com sua respectiva ideologia), mas amanhã poderá não estar mais e entrar, por exemplo, a oposição. Isso nos faz refletir que: A POLÍTICA É CÍCLICA. Por outro lado, o ESG NÃO É CÍCLICO, ele veio para ficar.
E por que o ESG veio pra ficar? Porque as mudanças climáticas estão batendo à nossa porta com consequências adversas como enchentes, secas e tempestades que impactam a vida das pessoas, empresas e governos. Além disso, as pessoas estão cada vez mais conectadas e interagem entre si, cobrando ações mais efetivas de empresas e governos. Por fim, essa mesma conectividade e interação faz com que temas como transparência, ética, prestação de contas, códigos de conduta, gestão de riscos e combate à corrupção sejam valorizados pelos cidadãos e stakeholders e, por isso, muito importante na gestão pública.
O comportamento dos governantes e políticos, por exemplo, tem relação com as decisões que tomam quando vão discutir sobre as mudanças climáticas e como agir nas cúpulas do clima. E, também, quando eles vão desenvolver ações sociais e de governança e que correspondem à Agenda ESG. E isso vale para os que atuam a nível local, regional, nacional ou internacional.
Vamos dar um voto de confiança aos gestores públicos, mas também vamos cobrar quando necessário. Fazer isso nada mais é do que exercer a cidadania em um ambiente democrático.




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