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Cooperação que transforma: visita técnica da ReCCiclo à COOCAMARH marca início de parceria regional

Imagem: Amanda Ferreira
Imagem: Amanda Ferreira

Esta semana a equipe da ReCCiclo realizou uma visita técnica às novas instalações da COOCAMARH, em Canela, fortalecendo um diálogo essencial entre cooperativas que tem como foco a gestão de resíduos e a promoção da economia circular na Serra Gaúcha.

A equipe foi recebida pela coordenadora da COOCAMARH, Adriana de Oliveira Kirch, e pelo Secretário de Meio Ambiente de Canela, Carlos Frozzi, em um momento marcado por troca de experiências, aprendizado e alinhamento de propósitos.


Durante a visita, foi possível conhecer de perto o processo de constituição da COOCAMARH, que hoje conta com 34 cooperativados. Com apenas um ano e meio de atuação, a cooperativa já apresenta resultados expressivos: mais de 100 toneladas de resíduos urbanos são desviadas mensalmente do aterro sanitário por meio do trabalho de triagem.

Mais do que números, o que se percebe é a força da organização coletiva. A estrutura física, os processos de triagem e a rotina de trabalho evidenciam que gestão de resíduos exige planejamento, método e comprometimento.


Consciência coletiva e valorização humana: a base do sistema


A experiência na cooperativa evidenciou algo incontornável: sem a participação responsável da comunidade, a cadeia da reciclagem começa fragilizada. O que se vê no processo de triagem são resíduos orgânicos misturados a materiais recicláveis, cacos de vidro entre papéis e plásticos, pilhas e medicamentos descartados de forma incorreta. Esse cenário compromete o aproveitamento de materiais que poderiam retornar ao ciclo produtivo, eleva custos operacionais e coloca em risco quem está na linha de frente do trabalho. A transformação ambiental começa na origem do descarte e, pequenas atitudes individuais têm impacto direto em todo o sistema.

Ao mesmo tempo, torna-se impossível não refletir sobre quem sustenta essa engrenagem diariamente. Os catadores desempenham uma função estratégica para a sustentabilidade das cidades, realizando uma atividade essencial e muitas vezes invisibilizada. Lidam com materiais contaminados, enfrentam condições desafiadoras e, ainda assim, sua profissão segue marcada por estigmas e preconceitos. Reconhecer seu valor, garantir estrutura adequada e promover condições dignas de trabalho não é apenas uma questão social — é um requisito para que a economia circular funcione de forma eficiente, justa e duradoura.


O papel do poder público


A experiência da COOCAMARH também evidencia a importância do apoio do poder público para que o modelo funcione de maneira estruturada. Quando há articulação institucional, a gestão de resíduos deixa de ser apenas uma obrigação legal e passa a gerar impacto ambiental, renda e melhores condições de trabalho para os cooperativados.

Esse alinhamento entre cooperativa e gestão pública é um elemento-chave para que a economia circular se consolide de forma efetiva no território.


O debate que precisa ganhar escala


A relevância desse tema ganha ainda mais força neste ano, quando o evento Líderes Sustentáveis volta a trazer para o centro do debate a gestão de resíduos e a economia circular. O encontro reunirá painelistas que são referência na área, promovendo uma discussão qualificada sobre caminhos concretos para fortalecer o setor.

Um dos destaques será a abordagem sobre como a Lei de Incentivo à Reciclagem pode se tornar uma ferramenta estratégica para o poder público, empresas e cooperativas de catadores. O mecanismo tem potencial para ampliar investimentos, estruturar projetos, melhorar condições de trabalho e gerar impacto ambiental e social consistente nos municípios.

Ao conectar políticas públicas, setor produtivo e organizações da cadeia da reciclagem, o debate amplia a compreensão de que a gestão de resíduos não é apenas um desafio operacional — é uma agenda estratégica de desenvolvimento sustentável.


Construindo pontes entre cidades


A visita representa o início da construção de uma parceria entre ReCCiclo e COOCAMARH, com potencial para fortalecer ambas as cooperativas e gerar resultados positivos para as cidades de Gramado e Canela. A troca de experiências entre municípios vizinhos fortalece a região como um todo. A gestão de resíduos não deve ser pensada de forma isolada, mas como um sistema integrado que ultrapassa limites geográficos e conecta pessoas, instituições e políticas públicas. Mais do que uma visita técnica, o encontro reafirma um princípio fundamental: transformações reais acontecem quando cooperamos.

A ReCCiclo segue avançando na construção de um modelo estruturado de gestão integrada de resíduos, aprendendo com experiências bem-sucedidas e fortalecendo parcerias que ampliem o impacto ambiental, social e econômico na região.


 
 
 

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